Fazia frio quando ligaram para o senhor Henry:
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- O senhor precisa vir para o hospital urgente... disse a voz do outro lado da linha.
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- O que aconteceu? Perguntou. Mas em seu íntimo já sabia a resposta.
- Madame Henry está em trabalho de parto.
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Foi o suficiente para Henry sair em disparada, sem nem mesmo colocar o telefone no gancho. Já esperava por isso, quando saiu pela manhã percebeu um certo mal estar em sua querida esposa.
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Chegando ao hospital, Henry foi informado da situação de sua mulher:
- Senhor Henry, devo lhe esclarecer que o parto da madame Henry será complicado. Talvez seja importante a realização de uma cesárea, apesar de ser uma técnica nova, estamos confiantes de que será o melhor.
- Tudo bem Doutor, mas, por favor, não deixe que nada aconteça a minha esposa.
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E assim seguiram todos para a sala de cirurgia, inclusive o senhor Henry, que queria ficar ao lado da amada.Uma tensão no ar. Seguiu uma cirurgia complicada e demorada. Henry juntamente com as enfermeiras olhavam atentamente quando viram quando o doutor puxou o bebê.
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- Olha senhor Henry, disse a enfermeira, seu bebe nasceu, olhe, parece um menino.. sim, é um menino. Não está feliz senhor Henry.
Com uma cara de desespero e raiva eis a resposta:
- Como poderia, ele quase levou minha esposa.
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Somente este desabafo e Henry se retirou da sala, pois não poderia mais ver sua amada ser tão maltratada por aqueles médicos. Resolveu se sentar e esperar até que pudesse ficar com ela.Já haviam passado mais de duas horas quando veio finalmente o médico.
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- Senhor Henry, sinto lhe informar que perdemos seu bebê, ele já nasceu sem os sinais vitais, por isso o parto da sua esposa foi tão complicado, pedimos que o senhor tenha paciência, pois estamos tentando controlar no momento a hemorragia da sua esposa.
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Aquilo veio como uma facada para Henry, ele nem imaginava que sua esposa corria risco de vida. Ao ver a palidez do Henry, o médico sugeriu que ele fosse até a lanchonete comer algo, pois já estava ali há muito tempo sem se alimentar. E assim foi.. Pediu um café que não queria tomar e sentado na mesa ficou com seu cigarro a queimar somente com um pensamento.
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- E se ela morrer.- Pensava ele. - Não ela não irá morrer. Claro que não. Ainda tão jovem. Mas é se ela morrer. Mas e se ela ... não, isso não vai acontecer. Definitivamente não. Mas... não vou nem pensar nisso, ela não vai. Mas e se ela morrer... como iria ficar sem ela... não, não vai.
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Henry pegou a colher para misturar o açúcar em seu café como forma de espantar o agouro. Seus movimentos automáticos eram claros e seu pensamento com uma inquietação tão cruel que ele não conseguia desvanecer-se dele.
- Mas e se ela morrer. E ficava com esse pensamento inerte.
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Poderia confundir Henry com uma estátua de tão imóvel e sombrio ele parecia..
-Mas e se ela morrer. Já não só pensava, como falava também em voz alta.
- Mas e se ela morrer. – Olhando para o nada, repetia. – Mas e se ela morrer. Mas e se ela morrer. Não, não irá morrer. Não vai ficar tudo bem, vamos voltar para casa e continuar nossas vidas... como seria minha vida sem ela... não, não... não... ela não vai morrer.... Não poderia, não poderia me deixar sozinho... - e arriscando um sorriso gelado continuava - ... Não, ela não vai...
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Planejamos tudo, será tudo perfeito, ela ficará triste pela morte do nosso bebê... Mas, ela vai ficar boa. Vamos fazer uma viagem, ela vai ficar boa. Mas e se ela morrer.... mas e se ela morrer e me deixar... e se ela partir... e se ela morrer... Henry largou seu cigarro e seu café e correu para dentro do hospital, quando a enfermeira o encontrou:
- Senhor Henry estava a sua procura. Sinto muito senhor Henry...
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Ele correu. Foi em direção a sala em que estava sua esposa. Porém, já era tarde.
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A senhora Henry já havia falecido....
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E Henry não pôde despedir-se pois estava ocupado com seus pensamentos.
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