domingo, 16 de novembro de 2008

A última birita

Estava num bar perto do metrô, um inferninho, mudou sete vezes de dono, passou de mão em mão, primeiro para um nordestino, depois para um carioca, para um chinês, para um aleijado, depois para ...
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Não lembro, só sei que o Jeff gostava daquele lugar. Passava a maior parte do tempo ali assistindo a um jogo qualquer pela televisão; claro que assistir em casa seria bem melhor, pensava ele, mas anos e anos de bebedeira demonstraram que biritar sozinho e em casa poderia ser perigoso.
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O truque era saber o ponto de equilíbrio entre a solidão e a aglomeração, o golpe que precisava usar para não terminar num hospício. E assim estava ele, sentado num bar, morrendo de tédio, quando um amigo qualquer resolveu sentar-se ao seu lado.
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- Olha, não deixa aquela mulher te acabar assim não cara, senão você acaba na merda. Não caia nessa.
-Fica tranqüilo, não pretendo jogar lixo na fossa.
- Que bom, mas é que você está abatido, parece triste.
- Claro, e estou mesmo, aquela vagabunda me traiu, e ser corno é pior do que ser “viado”, mas com o tempo isso passa. Quer uma cerveja?
- Lógico, mas você está com uma cara de ressaca danada hein, não vai parar de beber?
- Que remédio, se tenho que esquecer, ressaca é sempre melhor que prozac.
- Acho que você tem razão. Mas olha hoje quero que você conheça um colega meu, meu chapa Bandi, passou mais tempo lá dentro do que aqui fora.
- Em cana?
- Em cana e no hospício.
- Tremendo barato. Diz pra ele chegar até aqui então.
- Vou ligar para ele, se ele ainda não estiver de porre ele vem...

Na segunda Jeff não foi trabalhar, na terça também não, na quarta idem. Bem, para encurtar a história, ele nunca mais foi visto. Dizem que esse foi seu último dia de liberdade, pois hoje Jeff mora num presídio.
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Seu crime, homicídio por motivo fútil e torpe, assim falou o juiz. Para Jeff, homicídio útil e libertador, porque agora podia dormir de alma lavada, pois matara seu pior pesadelo, o cara que o transformara em corno, o Bandi.
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E assim, a noite que não prometia nada mas que aconteceu tudo terminou para jeff. Bem melhor que a maioria.
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Papinho entre amigas...

- Alô.
- Oi amiga, como vai, tudo bem? Olha estou com saudades, vamos sair e beber um “chopinho”, sabe como é, colocar a conversa em dia.
- Hum, eu adoraria.
- Então, vamos que eu quero conversar sobre umas coisas que estão acontecendo ai sabe, mas vou começar a falar por aqui mesmo para quando chegarmos lá você já saberá metade da história.
- Mas, você não acha que...
- É rapidinho, olha só menina, lembra daquele meu amigo que te falei, aquele colega, sabe, o bonitão.... então, menina nós saímos ontem e, ai amiga, ai ai... estou tão ansiosa, foi tão bom sabe... e agora estou esperando ele me ligar, mas eu não sei se ligo ou espero ele me ligar... assim, o que você acha? Eu ligo, será que não vai ficar estranho, não sei sabe, pode ser que ele esteja com vergonha de me ligar....
- Mas.....
- Ou ele pode está sem crédito né, hummm.. deve ser isso .. então acho melhor eu ligar logo, valeu amiga pelo conselho, valeu mesmo, você me ajudou bastante, vou ligar agora mesmo que ainda da tempo de marcar algo para hoje...
- Mas e o “chopinho”?...e ...
- Ai desculpa amiga, mas hoje não vai dar, depois combinamos algo!
- Mas...
- Beijinhos ....Tu tu tu tu tu tu tu tuuuuuuuuuu...

Alguns minutos depois:
- Alô.
- Aiaiai...buáaaaaaaaa...
- Oi... por quê estás chorando?
- Poxa vida, ainda pergunta, você falou que eu deveria ligar logo pra ele lembra... buáaaaaaaaaa.... nossa, ele foi tão grosso comigo.... poxa amiga segui o seu conselho e veja só no que deu..
- Mas eu não.......
- É, eu não sei porquê ainda escuto seus conselhos....
- Mas........
- Deixa depois nós conversamos... tututututututututtu ttututututututuuuuuuu.............

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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Silenciosamente louco


Um caminho suave Uma tarde silenciosa Sua ausência misteriosa
Sua presença na madrugada Numa noite amaldiçoada
Encostastes sua face na minha
Mas não olhaste para mim Não saberás quem te tocou
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Somente me sentirás como um vento Que te levou a voar
Que te deixaste a amar Loucamente Profundamente
Um toque no infinito Um eterno sofrimento
Apenas um pensamento Um desejo
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Que eu volte com a brisa Neste momento Do teu desalento
De um desesperado De um enlace terminado De um amor abandonado
Que ficaste no passado Naquele céu estrelado Uma noite silenciosa
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Sem a minha voz Sozinho Um vazio Sem saber de mim
Talvez ficando louco Implorando um pouco Daquele amor louco.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Mas hein...

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Quando o sol tomava conta do céu, quando um beija-flor cantava na varanda ela, no calor do apartamento, estava lá a pensar na sua vida. Seu casamento ainda se mantinha em pé. Só amores verdadeiros conseguem durar. E uma família tão perfeita igual a dela era coisa rara. Parou nesses pensamentos quando a campainha tocou.
- Pois não.
Era uma mulher aparentemente nos seus 30 anos.
-Você sabe quem sou?
- E que importância isso tem?
- Sou amante do seu marido.
- E você espera que eu o parabenize por isso?
- Você não vai fazer nada?
- Deveria?
- Poderia quebrar a minha cara para começar.
- Sim, sem dúvida. Mas olha no momento tenho outras preocupações, poderíamos marcar essa briga para amanhã às 11:00hs?
- ...
- E não se atrase porquê as 11:40 tenho que pegar meus filhos na escola e ao meio dia sirvo o almoço do meu marido. Mas alguma coisa?
- Hã... err aaa não.
-ok, até amanhã então.

sábado, 1 de novembro de 2008

Divagações

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Os pensamentos mais importantes são o que mais tardiamente são compreendidos, justamente aqueles de que mais precisamos, aqueles pensamentos que nos devora.
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Foi assim que ela terminou sua noite. Assistiu a um belo filme que a fizera chorar, e talvez por isso ela venha agora a divagar - “Sempre vivo tentando esconder meu verdadeiro eu, meu espírito, minha alma, minha essência, meus segredos” - pensou ela - “Estou sempre pronta a me desviar de mim mesmo”.

Mas Hoje ela não teve escapatória, pronto, lá estava ela fazendo o que ela sempre evitara - escutar sua alma. O que aconteceu? Ninguém sabe! Talvez a lua estivesse olhando para ela neste momento. Cobrando-a de algo que só elas sabiam.
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Talvez a lua esteja decepcionada. Deve estar cansada da forma como vinha se escondendo. Mas restava uma esperança, a de que ela iria agir no momento oportuno.
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“É tarde demais”! – Pensou. A melancolia de saber que já estava tudo feito, que sua vida já estava consumida pelo seu destino e não tinha mais como escapar de sua sorte, deixou-a num vazio descomedido, numa tristeza sem fim.
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Tudo que era profundo para ela, seu coração reprimia. Na poesia ela compensava. Nas palavras sofridas ela sentia. Na melodia ela chorava. “Ah meu anjo, deixaste a vida lhe passar!” - disse alguém uma vez para ela. - “Agora o Sol não irá mais te acordar e os pássaros não iram mais cantar”.
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E assim foi vivendo sem subterfúgios, para os restos de dias escuros que ainda lhe haveriam de passar.

Sua vida no silêncio

Não olhe mais para mim
Não tente olhar para mim
Não quero mais saber
O que queria entender
O que nunca existiu
Apenas quero te ver
No acaso, na vida. Por ai!
Sem pretensões
Sem emoções. Apenas por saber
Que você ainda vive. Que você assim suporta
Uma vida com a minha ausência
Num silêncio sem fim


Na solidão de uma vida morta.
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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Amigos são para essas coisas

- Chega pra lá, não toque em mim, que te esborracho.
- Cada tapa que me deres, te devolverei com 10.
- Doente.
- Não te incomodes se tenho lepra.
- Doido, maluco.
- Não te incomodes tão pouco com isso.
- Prefiro o diabo.
- Deixo isso por sua conta. Mas me conta, o que houve para você ficar assim. Estás estressada?
- Tá tão evidente assim?
- ...
- Ah... tá bom vai, não foi um dia bom.
- Calma! Alguns dias são perdidos mesmo. Sei bem o que é isso.
- Houve um problema na produção de dias então. Ultimamente todos estão perdidos. Sabe, hoje é um dia desses....
- Ah sim, um desses dias.
- Esses dias que parece que só existem dois tipos de gente: as Vítimas e os culpados.
- Esqueceu que também existem os mortos.
- Claro que não. Os mortos são da turma dos culpados, senão por que seriam mortos?
- Eu prefiro então em ser os culpados, desde que isso signifique que haja inocentes.
- Você é um idiota.
- Melhorou?
- Acho que sim, é que ando amarga demais.
- Que é isso, imagina. Você ainda consegue sorrir.
- Isso não é um sorriso, é paralisia facial.
- Vê, e ainda tem senso de humor. Percebo que melhorastes, então vou nessa, tchau.
- Tá bom, maluco. Não some, tchau.
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