terça-feira, 15 de setembro de 2009

Ser apenas...


Nunca posso dizer completamente para você o que ocorre comigo. Quando uso palavras, isto soa (e é) inadequado e pouco convincente. Se continuo a exprimir outras partes do que ocorre em mim, me prolongo tanto, que você se cansa de ouvir.
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Você quer saber o que realmente está acontecendo comigo, como se houvesse apenas uma coisa que pudesse ser real. E eu, consciente do que estava acontecendo comigo, observo agora que isso mudou, e me dou por vencida.
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Finalmente, fui obrigada a verificar que a única maneira ao meu alcance seria descrever cada aspecto numa folha separada e transparente, empilhar todas as folhas e segurá-las contra a luz, a fim de que as pessoas olhassem através delas.
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Então veriam apenas confusão. E antes da primeira folha ter sido escrita, alguma coisa nela e em todas as outras já tinham mudado. É tolice ter alguma idéia fixa sobre mim mesma: só posso observar o que está ocorrendo comigo, agora.
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E eu sou a única pessoa que posso me conhecer completamente.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Viagem e maionese...


......Já sentia o cheiro dos lilases, não se ouvia música, mas o aroma das flores e da terra se fazia sentir. Para onde olhava tudo parecia perfeito. Metade do céu tinha o rubor do pôr-do-sol. Permaneceu assim, em silêncio. Viajando pela atmosfera com seus sentidos como se pudesse voar. Havia nela a paixão de contemplar a vida. Gostava de ler livros que descrevia os meandros da alma humana.
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.....Passou sua tarde assim, deslizando pelos jardins, pelas avenidas, pensando em como seria viver uma vida sem compromissos, cobranças e regras. Apenas viver e sentir seu coração pulsando com alegria. Um dia ela ainda viveria assim, prometia isso pra si mesmo. Acelerou o passo, lembrou que já estava quase na hora de servir o jantar. Entrou no mercado, tirou a lista da bolsa e começou a ler a única poesia que fazia parte da sua vida. Arroz, feijão, farinha, ovos, cebola, papel higiênico, frango, detergente, maionese...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Naquele dia, naquele parque...


..........Depois de algum tempo, ele resolveu mudar de vida. Mudar alguns hábitos que já estavam ultrapassados. Talvez assim vivesse melhor, mesmo sem ela e aqueles passeios que sempre faziam juntos. Resolveu então entrar numa academia, e depois de algumas semanas, seus músculos já faziam a camiseta esticar. Largou o livro e começou a olhar aquela foto que lembrava que um dia fora feliz com ela. Gostaria de pelo menos revê-la. Ma ela havia sumido. Disseram para ele que isso poderia acontecer um dia com sua falta de atenção, mas ele não acreditou e a deixou partir. .

.......Tentou ter notícias pelo jornal, mas nunca obteve respostas. Ele achava-se uma boa pessoa. Afinal de contas ganhava bem e não fumava, levava bem a vida e pagava seus impostos em dia. Ele teria sido um bom companheiro. Sabia disso. Preparava-se para isso: lia revistas e livros sobre o assunto. Mas ela simplesmente o deixara. Ele não entendia isso. Mas tudo bem, ele decidira não mais pensar nela, ela devia estar obviamente perturbada de sumir assim da vida dele. .

......Mas o que ele não sabia que todos esses pensamentos levianos se resumiam a uma mentira inábil para revelar que ele, na verdade, sabia muito pouco sobre companheirismo, amor e cuidado. Eis, porém, a verdade: ele encontrara a sua inutilidade quando esquecera sua cadela, tão estimada por toda a família no parque.

domingo, 12 de julho de 2009

Muita areia, caminhãozinho quebrado...

....Seus cabelos pretos, seus olhos claros, sua boca carnuda acentuava toda sua sensualidade.Trajava um vestido simples, porém provocante. O que fez ele se sentir mais obcecado por aquela mulher.
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.....E sem conseguir se controlar na presença dela, num impulso selvagem a agarrou. Seus lábios se colaram aos dela. Ela não o bloqueou. Segurou o rosto dele entre suas mãos e o beijou.
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..... Sua língua deslizou por entre os lábios dele. Avançou mais e passou o indicador em direção entre os botões de sua camisa e começou a desabotoá-los, um a um.

......Ele tinha tanto desejo de possuí-la enquanto estava distante, enquanto ruas e avenidas, muros e paredes o separavam. Uma distância que o fazia sonhar a cada noite.
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....Agora, se via sufocado pela fantasia que ele tanto sonhara e que havia virado realidade. Já não tinha controle sobre nada ao olhar para aquela mulher. E estas foram às preliminares, a carícia inicial de que eles precisavam, o beijo necessário para se entregarem aos encantos daquela paixão que certamente iria enlouquecer a vida dele.

....Rolaram na cama e se entregaram ao desejo. Com seus pequenos gritos, suspiros e gemidos, ela lhe sinalizava a maneira como gostava de ser tocada.

....Porém, depois de tantas carícias, ele queria se fundir dentro dela e desaparecer. Pois a vontade de satisfazê-la era tão grande que sua ereção se perdera em sua ansiedade e não conseguira mais nada além de se lamentar.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

MOBY DICK


Estou lendo MOBY DICK de Herman Melville.
Estou quase lambendo o livro de tanto que estou gostando dele.


Eis aqui um trecho do livro, uma conversa entre o Capitão Ahab e Starbuck:


"Vingança sobre uma besta que não fala!", gritou Starbuck, "que te atacou simplesmente por um instinto cego! Loucura! Sentir ódio de uma criatura muda, Capitão Ahab, me parece uma blasfêmia."


"Escute aqui mais uma vez - uma palavra um pouco mais profunda. Todos os objetos visíveis, homem, não passam de máscaras de papelão. Mas em todos os eventos - na ação viva, na façanha incontestável - revela-se alguma coisa desconhecida, mas racional, por detrás desta máscara irracional. Se um homem quer atacar, que ataque através da máscara! Como pode um prisioneiro escapar a não ser atravessando o muro à força? Para mim, a baleia branca é o muro, que foi empurrado para perto de mim. Às vezes penso que não existe nada além. Mas basta. Ela é meu dever; ela é meu fardo; eu a vejo em sua força descomunal, fortalecida por uma malícia inescrutável. Essa coisa inescrutável é o que mais odeio; seja a baleia branca o agente, seja a baleia branca o principal, descarregarei meu ódio sobre ela. Não me fales de blasfêmias, homem; eu lutaria contra o sol, se ele me insultasse. Porque, se o sol pode fazer uma coisa, eu posso fazer outra, visto que sempre há uma espécie de jogo lícito, e há o zelo reinando sobre todas as criações. Mas esse jogo lícito não me domina, homem. Quem está acima de mim? A verdade não tem limites."

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Férias

Estou cá em Fortaleza!
O dia é assim.
Na praia.
Sombra, leitura e água fresca.

E de noite é assim.....



quarta-feira, 24 de junho de 2009

Caminhos...

Não eram as nuvens que tapavam o sol naquele dia, a escuridão provinha de dentro dela. Um prazer que ela não conseguia mais renunciar. Estava maravilhosamente e apaixonadamente egoísta. Disposta a ceder à pressão, ela falou tudo o que havia em seu coração. Um coração que talvez não saberia abrigar um envolvimento tão intenso naquele momento.
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Ela teria dificuldade em controlar esse sentimento que já a aterrorizava. Falaria com uma voz suave, diria palavras belas, palavras puras e sinceras. Pegaria sua mão. Entregar-se-ia para ele.
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Nos primeiros encontros apenas conversavam. E se entendiam nas palavras ditas e nas não ditas também.
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E, por fim, fizeram amor, não foi nada extraordinário a principio, mas isso não importava muito, porque seus corpos finalmente se tocavam. Depois iriam se acertar. Tinha sido apenas um começo, uma possibilidade de relaxar e respirar para o que ainda aconteceria. Um amor profundo com renúncia, compreensão e espera com benevolência ou uma paixão violenta com gritos, fugas, encontros e desencontros.
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Qual caminho seguiriam?