quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A malícia de uma despedida

Seu corpo fino, porém esbelto o bastante para despertar desejo em qualquer homem. Bonita? Talvez, mas em tudo uma mulher sensual. Ela pensara em terminar com Adalberto, seu namoro de alguns meses, mas não naquele dia, decidira que o encontraria uma última vez para se entregar àquele desejo mudo. Ela o tinha provocado, sabia disso, e talvez exatamente por isso ele a amasse sempre daquele jeito.

E foi com esses pensamentos que Ellen começou a pintar-se, mesmo sabendo que isso ela nunca o fizera muito bem, e que algumas vezes fora motivo de piadas para suas colegas. Para compensar sua maquiagem apática, ela sempre caprichava no perfume. Seguia sempre o mesmo rito, começava pelo pescoço e terminava pelos seios, ali ela passava delicadamente, quase que se acariciando com aquele perfume deliciosamente doce, cujo nome guardara somente para ela, escondendo de suas amigas. Esse era seu segredo, essa era sua malícia.

Usaria qual vestido? Certamente seria aquele que ela comprara após difíceis 3 meses de economia da mesada que recebia de seu pai. Tudo planejado. Quando ela foi à loja, sabia o que queria, sabia que seria algo delicado, com tanto que fosse modestamente sedutor. Algo que mostrasse sua delicada nudez. Algo que mostrasse o que Adalberto iria perder. Escolhera um vestido exatamente neste tom.

Colocaria os brincos? Sem dúvida. Algo que realçaria seu rosto e seus ombros esguios. Terminou colocando os sapatos, aqueles de cetim preto, que pegara emprestado com a amiga, a mesada não foi o suficiente para os dois. Olhou para o relógio, marcara 20h00min, finalmente chegara o momento. Olhou avidamente uma última vez para o espelho e percebeu seus olhos pintados de um tom de sarcasmo que diziam:

- Sem pudor esta noite, meu amor, ou serei obrigada a te devorar como uma virgem.